COMPENSAR COMPENSA?

AQUI QUASE NADA, MAS É MELHOR DO QUE NADA

Quando uma empresa polui um rio, explode uma montanha ou desmata uma grande área e depois oferece uma compensação de danos em outro lugar dando algo em troca, sabemos que não é a mesma coisa. Reparar os danos não resolve a raiz do problema (veja o artigo do porquê) e alguns danos são irreversíveis. Compensar deve ser a última alternativa quando a prevenção e a mitigação tiverem falhado e agora não restam opções a não ser esta contrapartida.

AQUI PODEMOS MUDAR

Educar dá trabalho, mas é mais eficaz e saudável do que punir, como na criação de filhos e na liderança de pessoas. O combinado não sai caro nas negociações, evitando discussões, abusos e maus entendidos. Prevenir é mais leve e barato do que remediar, não somente na saúde.

Compensar a escassez da minha infância é viver no passado. Dar aos meus filhos o que eu não tive é confundir a história deles com a minha e os torna adultos mimados. Uma breve interrupção da minha atenção costuma exigir de 20 a 30 minutos para retomar a atividade. Traições quebram a confiança rapidamente e reestabelecer a confiança demora ou às vezes é impossível.

TUDO TEM CONSEQUÊNCIAS

Mesmo depois do problema resolvido, os efeitos colaterais do stress, da insônia, do nome sujo, do ataque de pânico, dão mais trabalho para sumir. Ficam os traumas, a úlcera e a reatividade para resolver.

Punir é uma forma de compensação. O ataque prejudica a relação, a autoestima da pessoa punida e a imagem de quem pune. Quem foi punido continua a errar (já que não foi mostrado outro caminho), tenta se defender e esconder os erros.

AQUI COMPENSA

E quando não conseguirmos evitar, deixaremos a impunidade e a injustiça correrem soltas? Não, a justiça tem que ser feita para inibir novos casos e confortar. Alguma punição funciona como freio e definir a punição tira o ofensor da culpa que o mantém tentando pagar uma dívida eterna e livra o ofendido de arrastar um castigo desproporcional.

Quando a doença já se instalou, além do estilo de vida saudável que sempre compensa, os tratamentos são a melhor opção para controlar ou até curar. Um comportamento abusivo seguido de levar flores ilude, enquanto o pedido de desculpas sincero e um novo comportamento cuida da relação.

DINHEIRO VEM E VAI, ENTÃO DÁ PARA COMPENSAR FACILMENTE ?

Em partes sim, mas não como imaginamos. Para compensar meses de faturamento baixo é necessário vender bem mais do que as vendas perdidas, o preço da ação que cai pela metade precisa subir o dobro para voltar ao ponto onde estava e o produto que dá mais lucro pode não compensar o outro de margem apertada. Quando você atualiza um valor pela inflação, está cobrindo uma parte do aumento de custo dos últimos 12 meses, esperando que o aumento olhando no retrovisor seja suficiente para os custos dos próximos 12 meses. Matemática não é intuitiva, é preciso calcular. E observe que todas estas situações trazem consequências não numéricas citadas acima, que também precisarão ser resolvidas ou compensadas.

TEM O SUFICIENTE PARA TODOS?

Se você acompanhou os números divulgados no Dia da Água e Dia da Terra, já tem uma ideia dos problemas climáticos e ambientais atuais. Estamos abusando do limite da Biocapacidade do planeta, ela tem diminuído pela degradação dos solos e mares. Já estamos roubando recursos das próximas gerações.

A pegada ecológica é medida nas empresas, cidades, países e pode ser medida por pessoa. Cada país é avaliado como credor ou devedor do meio-ambiente. Se todos consumissem como os americanos, precisaríamos de 5 planetas Terra. Um paulistano típico gasta 200 litros de água e produz 1 kg de lixo por dia. Os 20% mais ricos do mundo consomem 76% dos bens e serviços da Terra, a classe média que representa 60% das pessoas é responsável por 20% do consumo e os 20% mais pobres consomem somente 4% dos bens e serviços. Os números só não são piores e a devastação do meio-ambiente só não é maior porque há países muito pobres com baixo consumo e emissão de poluentes, como algumas regiões do continente africano, que só tem 15 litros de água por pessoa por dia em média.

Calcule a sua pegada ecológica em termos de água, energia, alimentação, consumo, descarte e transporte no teste da WWF:  http://www.pegadaecologica.org.br/2015/index.php  e analise sua rotina para identificar se nela há algumas destas práticas:

Consumismo: refere-se a um modo de vida orientado por uma crescente propensão ao consumo de bens ou serviços, em geral supérfluos, em razão do seu significado simbólico (prazer, sucesso, felicidade), frequentemente atribuído pelos meios de comunicação de massa. Quando se torna doença, chama-se Oniomania.

Obsolescência programada: é a decisão do produtor de propositadamente desenvolver, fabricar, distribuir e vender um produto para consumo de forma que se torne obsoleto ou não-funcional especificamente para forçar o consumidor a comprar a nova geração do produto.

Ostentação: é o ato de, com muito excesso e orgulho, exibir realizações, posses ou habilidades de si próprio, com vaidade e pompa, bens, direitos ou outra propriedade, normalmente fazendo referência à necessidade de mostrar luxo, riqueza ou poder.

Avareza: é a dificuldade e o medo de perder algo que possui, como bens materiais e recursos. Uma pessoa avarenta não quer abrir mão do que tem mesmo que receba algo em troca, tem cuidado com seus pertences e é egoísta.

Colecionismo: é a prática que as pessoas têm de guardar, organizar, selecionar, trocar e expor diversos itens por categoria, em função de seus interesses pessoais. Há vantagens como aprender a classificar e aprender sobre o objeto colecionado, e há desvantagens por gerar acúmulo em excesso.

Ganância:  opondo-se à generosidade, é uma vontade de possuir tudo que se admira para si próprio. É um desejo excessivo direcionado principalmente à riqueza material ou poder. Com ela você pode corromper terceiros e se deixar corromper, manipular e enganar chegando ao extremo de matar.

Alguns movimentos estão surgindo para solucionar os problemas atuais, escolha os seus:

Minimalismo: Com o lema “menos é mais”, o minimalista reduz a quantidade de bens, de compras, de serviços, mas não necessariamente reduz os gastos, o conforto e o luxo. Ele só evita os excessos, a complexidade e o desperdício. Tem estreita relação com o Essencialismo, do livro de Greg McKeown, que busca fazer menos mas melhor

Frugalismo: O frugalista sim, gasta menos, normalmente é naturalista e fica no básico. Ele consome menos, mas pode ser um acumulador porque reaproveita, conserta e reutiliza coisas. Muitos desenvolvem autonomia e habilidades manuais no estilo DIY (Do It Yourself ou faça-você-mesmo). Um exemplo é a Compostagem, que transforma restos de comida em adubo e nos aproxima do Lixo Zero.

Simplicidade voluntária: ter uma vida mais simples voluntariamente e voltar-se mais para o seu interior, mais para o “ser” do que para o “ter”. Muitos dão menos atenção ao lado material da vida para focar no emocional, intelectual ou espiritual.

Consumo consciente: Ao ter consciência das consequências na hora de escolher o que comprar, de quem comprar e definir a maneira de usar e como descartar o que não serve mais, o consumidor pode maximizar os impactos positivos e minimizar os negativos, desta forma contribuindo com seu poder de escolha para construir um mundo melhor. Uma meta do consumidor consciente é praticar os 7 Rs da ecologia: repensar, recusar, reduzir, reparar, reutilizar, reciclar e reintegrar.

Slow food: em oposição ao Fast Food, o Slow Food (em inglês, literalmente, “comida lenta”) é um movimento e uma organização não governamental fundados por Carlo Petrini em 1986, tendo como objetivo promover uma maior apreciação da comida, melhorar a qualidade das refeições e uma produção que valorize o produto, o produtor e o meio ambiente.

Economia solidária: é definida como o “conjunto de atividades econômicas – de produção, distribuição, consumo solidário, troca, comércio justo, poupança e crédito – organizadas sob a forma de autogestão. Trata-se de uma forma de organização centrada na valorização do ser humano e não do capital, caracterizada pela igualdade. Ela está ligada à Economia Colaborativa e o Capitalismo 2.0, que preferem dividir e colaborar do que acumular, criando novas formas de fazer negócios.

Empresa social: busca associar a expertise do mundo dos negócios empresariais (administração, finanças, economia) com a expertise social das organizações sem fins lucrativos, trata-se de um híbrido dos chamados segundo e terceiro setor, denominado por alguns como setor 2.5 (dois e meio).

Feiras de trocas: são uma maneira engajada e divertida de repensar a forma como consumimos, envolvendo adultos e crianças com o objetivo de sensibilizar as pessoas sobre as consequências do consumismo, e minimizar e prevenir os prejuízos decorrentes dele.

Referências: Wikipedia, Criança e Consumo, Slow Food, Ministério do Meio Ambiente.

Soluções Múltiplas: horta

O que é bom para o seu bolso, sua mente, seu corpo e para o meio-ambiente?

Com uma horta orgânica você tem alimentos fresquinhos e livre de agrotóxicos, para fazer saladas, chás, purês, sopas, doces e temperos saborosos e saudáveis.

Você acompanha o crescimento das plantas e os ciclos da natureza, conhece profundamente a origem do que consome, dá mais valor à agricultura, aprende a  produzir e adquire mais autonomia.

Para cuidar da horta você movimenta-se, tem contato com a terra, fica ao ar livre, observa e imita a natureza, toma um solzinho, orgulha-se das colheitas.

Você colhe aos poucos e com isso desperdiça menos. Economiza nas compras quando planta coisas que duram e rebrotam, controla a higiene e os produtos artificiais ou a ausência deles.

Na horta você convive com plantas chamadas de “pragas” que aos poucos você passará a admirar pela resistência, deixar junto com as “suas” plantas e consumir algumas como plantas não convencionais. Até com os insetos, minhocas e larvas você desenvolve novos tipos de relacionamento…