Leve x pesado

Imagine aquela pessoa que se orgulha de não ser materialista, que tem horror a mesquinharias e raramente fala sobre dinheiro, especialmente à mesa. É uma pessoa leve, alto astral, que sempre acredita que as coisas vão melhorar. Prefere assuntos agradáveis e boas notícias, adora humanas e odeia matemática. Não procura problemas, evita conversas pessimistas, irrita-se com gente que fica falando o que ela não pode fazer. É do tipo que segue o coração, que afirma que pessoas são mais importantes do que coisas e para certos assuntos não se faz conta. É a alegria da festa e sempre topa um programa de última hora. Está sempre ligada no que realmente importa na vida e o dinheiro não compra – o lado espiritual e humano – nunca no material. Algumas decisões mais racionais ela vê como vender a alma ou ser uma pessoa fria. Orçamento prende, lucro é pecado, economistas são tensos, financistas são medrosos e economizar não resolve.

Corta para 20 anos depois. Na vida adulta, ela tem dependentes e contas para pagar, passou por crises financeiras e altos e baixos na carreira como a maioria de nós. Ela não quis administrar o dinheiro e hoje administra dívidas. Ela não planejou a aposentadoria e agora tem perspectiva de uma velhice difícil. É refém das contas que não gostava de fazer, é obrigada a calcular e recalcular cada passo. Os cortes no orçamento dos quais tanto fugiu a alcançaram e a obrigaram a escolher que contas não pagar, agora com menos liberdade. O dinheiro que desprezava é de “quem” ela muitas vezes passa dias correndo atrás. As pessoas a quem ela realmente valoriza foram prejudicadas direta ou indiretamente pelas suas dívidas. Os graves problemas financeiros abalaram os relacionamentos, o sono, a saúde, a reputação, autoestima e até a fé, por sentir-se culpada, revoltada e impotente ao mesmo tempo. Ironicamente, quem era tão leve e se alegrava com isso, hoje é uma pessoa pesada e tensa. Quem não queria prender-se a planos e limitações, hoje não consegue voar.

Ficção baseada em fatos reais, coisas que já vi e ouvi inúmeras vezes. Não dá para ser tão desligado de dinheiro assim, a não ser que você esteja disposto a largar tudo dos tempos atuais e da vida comum. Organize as finanças começando hoje!

Andréa Voûte

(imagem free de Jenelle Ball para Unsplash)

Extratos – essa leitura chata

Por favor, pelo bem de sua inteligência financeira, não pague contas sem saber, esteja consciente do que está sendo cobrado, especialmente dos débitos automáticos. Os lançamentos das suas contas correntes e de investimentos devem ser acompanhados de perto, no mínimo uma vez por semana e comparados aos seus controles. O mesmo vale para as faturas dos cartões de crédito, contas de telefone, energia elétrica, etc.

Fique atento ao que está acontecendo com o seu dinheiro, assuma o controle de suas finanças! Você como consumidor ao pagar contas deveria saber a que elas se referem. E você como empresário ao receber em cartão deveria acompanhar os extratos de sua maquininha porque ali já vi muito prejuízo e até erros. No banco, uma assinatura pode ser renovada automaticamente sem o seu conhecimento. No telefone, você não usa a metade do plano que é superdimensionado para você, mas quando ligam para te oferecer um maior ainda você aceita porque o desconto era bom.

Os extratos trazem abreviações e termos técnicos que desconhecemos, ou pior, temos a impressão que sabemos o que quer dizer, mas é um engano. Se você não entendeu a descrição pergunte e, se determinado lançamento lhe pareceu estranho, procure saber exatamente o que é. Eu já presenciei vários casos de débitos que não deveriam ter acontecido, serviços que não foram contratados e tarifas que foram cobradas indevidamente por meses seguidos! Sim, enganos acontecem e má fé também, aproveitando-se da distração ou comodismo do cliente… Se pagou o que não devia, peça reembolso.

Às vezes um cidadão correto contrai dívidas por ignorar suas obrigações. Por ex. se você tiver uma empresa, seu contador precisa estar muitíssimo bem informado sobre os tributos ou você pode acumular dívidas com o governo e levar um susto de repente. Nomenclaturas estranhas como “recolher” e “reter” um imposto, tantas siglas que mais parecem uma sopa de letrinhas e uma legislação mutante dificultam manter as contas em dia. Fale de vez em quando com o contador, acompanhe notícias e visite os sites do governo para saber mais.

E não se trata só de detectar problemas e investigar fraudes ou abusos. Os documentos aqui citados trazem um pouco do seu histórico: por onde você andou, de quem, quando, como e quanto recebeu, a evolução de seu saldo no decorrer do mês e vários outros números importantes para a consciência da sua saúde financeira e das tendências estabelecidas. A partir deles você monta índices e gráficos que te ajudam a decidir melhor.

Isso talvez seja um ótimo estímulo ao minimalismo nas contas e cartões, reduzindo a complexidade de extratos a acompanhar.

Andréa Voûte

Dinheiro é sujo

É verdade que as moedas e principalmente as cédulas de dinheiro são sujas, literalmente falando, mas percebo que a sujeira do dinheiro recebe uma atenção exagerada em relação a outras coisas igualmente ou mais contaminadas.

Tudo em que pegamos, especialmente na rua, vai juntando sujeira e deve receber uma limpeza regularmente… Há frequentes pesquisas alertando para os campeões da sujeira: corrimão, maçaneta, teclado e mouse, celular, volante e câmbio de carro, carrinho de supermercado, entre outros. Raramente se limpa esses objetos ou diz: eca, fechou a porta e agora está comendo com esta mão suja! E é muito comum ver alguém comendo no carro, ônibus, metrô, ou deixando o celular em cima da mesa do restaurante.

Essa noção de que dinheiro é fisicamente sujo não contribui em nada para nossa inteligência financeira, ela pode transcender a parte biológica e se impregnar como uma má impressão. É verdade que não é saudável beijar dinheiro, dormir ou tomar banho com ele, guardar junto ao corpo, como vemos em cenas de filmes… Só quero lembrar que dinheiro é importante, deve ser respeitado, valorizado, bem gasto e bem investido. Não precisa idolatrá-lo, colocá-lo em primeiro lugar ou usá-lo como instrumento de poder, mas enxergar o dinheiro como uma imundice não ajuda a sua inteligência financeira.

Ele pode conter germes, mas também pode conter uma possibilidade de realizar algum sonho. Ele pode estar meio rasgado e ainda assim servir para comprar coisas de que necessitamos. Ele pode passar de mão em mão, mas ele foi feito para circular e ser movimentado. A história de cada moeda poderia dar um interessante filme, com muitas vidas envolvidas. Um determinado valor pode ter chegado às mãos de um bandido como fruto de caminhos desonestos e pode ser usado em seguida para pagar uma conta comum de um serviço “limpo”. Em termos de ética, mesmo o chamado “dinheiro sujo” não é realmente sujo, suja é a atitude de quem praticou a corrupção, a contravenção. O dinheiro é somente um meio, um veículo neutro.

Lavar as mãos e limpar os objetos em que elas tocam não é suficiente? Por que ter mais nojo da sujeira do dinheiro do que das outras coisas? Porque o dinheiro seria assunto proibido nas refeições? Isso pode vir de alguns preconceitos que nem sempre fazem sentido. A noção de que lucro é palavrão, acumular é sempre pecado, ter ambição é errado, vender é trabalho sujo, economizar é coisa de gente mesquinha, investir é só para milionários. Mas o trabalho é nobre e comprar é maravilhoso… Pense no que faz a combinação dessas crenças.

Andréa Voûte

Nem tudo o que é barato é ruim

Por um momento vamos deixar de lado o preconceito e voltar nossa atenção às coisas baratas. Nem tudo o que tem um preço menor do que o normal do mercado é ilegal ou de baixa qualidade. Se teimarmos em ficar fechados neste conceito, várias oportunidades de bons negócios serão perdidas.

Alguém desesperado para vender, porque precisa desovar o estoque, ou usar o dinheiro para outra coisa, ou ainda por estratégia comercial para ganhar mercado e conquistar novos clientes, é alguém que abaixa o preço.

Os usados também podem ser muito adequados a uma situação em que você não precisa do produto novíssimo. Basta um pouco de tempo e paciência para pesquisar e verá quantos bons objetos podem ser comprados pela metade do preço. A família que está vendendo tudo porque precisa mudar-se tem ótimos móveis, eletrodomésticos e às vezes um lindo pet esperando ser adotado. A pessoa que mudou de peso ou de estilo de vida tem roupas, bicicleta, prancha. As feiras de trocas são ricas em livros e brinquedos interessantes. Os leilões oferecem imóveis a preços muito convidativos.

Pesquisar antes de comprar vale para tudo, certo? Então aí vai uma dica: sites de vendas diretas entre pessoas tem uma incrível variedade de produtos – novos e usados – além dos tradicionais classificados nos jornais. Depois de tomar um banho de informações, você estará mais preparado para uma boa compra.

Veja quantas dicas práticas nas seções #BB (Bom e Barato), #OBQSC (O Barato Que Sai Caro), #NVQC (Não Vale Quanto Custa) e #VCC (Vale Cada Centavo) da Voute Contar no Facebook e Instagram. Assim poderá repensar suas escolhas e tentar novas experiências de compra, dando valor ao seu tempo e dinheiro. Você já sabe também que nem tudo o que é caro é bom.

No lazer também há muitas opções para situações de escassez financeira. Parques, museus, shows, praia, esportes, saraus, reuniões de amigos ou familiares, programinhas românticos. Eventos em que você usa a criatividade para a decoração e as atividades podem ser muito divertidos. Nem só de shopping centers, festas cinematográficas e baladas pirotécnicas vive o lazer.

Cuidado, depois de seguir estas recomendações, é possível que você seja contagiado e comece a pensar em trocar, vender ou doar aqueles objetos e bens sem uso… Afinal, que desperdício deixar as coisas mofando e empoeirando quando podiam ter um fim útil para outra pessoa. Que desperdício pagar caro em uma coisa sem necessidade em vez de fazer melhor uso do dinheiro!

Andréa Voûte
foto de Frank McKenna para Unsplash

Para onde os seus impulsos estão te levando?

Adiar a gratificação é um dos segredos do sucesso, comprovado por um famoso estudo da universidade Stanford com crianças de 4 anos: elas ficaram sozinhas em uma sala com um marshmallow, sabendo que se conseguissem esperar 15 minutos para comê-lo, ganhariam mais um e depois poderiam comer os dois. Apenas 1/3 das crianças resistiu à tentação e elas obtiveram 100% de retorno pelo sacrifício de esperar 15 minutos, ou seja, “patrimônio” dobrado. Quando foram verificar a vida dessas crianças quinze anos depois, todas estavam melhor nos estudos e na vida em geral, enquanto os outros jovens eram problemáticos. Ter a paciência de esperar e a disciplina de pensar mais no resultado do que no prazer imediato impacta o futuro mais do que QI e mais do que nível socioeconômico dos seus pais.

Ser impulsivo e inconsequente custa caro. Muitos dos piores gastos dos quais nos arrependemos são decididos nos primeiros segundos e os vendedores sabem disto. Espere pelo menos 24 horas para gastar, observe se a motivação é o medo de não ter aquilo de novo ou o prazer da compra em si, pense se você pode pagar. Cuidado com o impulso de levar vantagem, mentir ou assumir um compromisso que já sabe que não conseguirá cumprir. Cultive a compaixão para não explorar o outro e desenvolva a esperteza para evitar ser enganado. Escolha bem o conteúdo que você lê e assiste, seja seletivo em suas companhias e no lazer.

Alguns negócios desastrosos que quebram uma empresa são fechados no calor do momento e bons negócios são recusados sem pensar direito. É só olhar à nossa volta para constatar que ter objetivos, planejar e executar corretamente dá resultado positivo nas finanças. Projetos bem-sucedidos e negócios de sucesso demandam planejamento sério, competência, muito trabalho, preparação, investimento de dinheiro e tempo para dar lucro. E o sucesso traz prazer também, mais sólido e duradouro; depois que você se supera sente-se muito bem. O prazer imediato é infantil e egoísta, enquanto a felicidade é generosa.

Ser atropelado pelos fatos e reagir a eles é bem diferente de agir e conduzir os acontecimentos. Falar e agir sem pensar costuma trazer problemas na esfera pessoal, acadêmica ou profissional, e afeta especialmente os relacionamentos. Prevenir-se contra imprevistos desfavoráveis tranquiliza e eles serão absorvidos naturalmente. Preparar-se para boas surpresas nos torna aptos a aproveitar melhor as oportunidades quando elas surgirem. Precisamos da inteligência emocional e do autocontrole e isso não quer dizer reprimir as emoções.

Perdeu dinheiro? Estude como recuperá-lo. Perdeu o controle? Retome e não prolongue a bagunça. Só não podemos exagerar e passar todo o tempo planejando, é preciso agir e colocar em prática o que foi planejado. A função maior do planejamento é saber qual a coisa certa a fazer, quando, como e onde. Se não houver ação, ele perdeu a finalidade. Se você se perder nos detalhes, talvez não dê tempo de executar — atualmente tudo acontece muito rápido. Tornar-se obcecado por controle não é saudável e nem realista. Resista aos impulsos, mas saiba diferenciá-los de uma intuição, um instinto verdadeiro. Viva bem o presente, lembrando-se de considerar o futuro.

Andréa Voûte

foto de Tommaso Fornoni para Unsplash

Com orçamento se vai mais longe

Tenho orçamento pessoal desde meus primeiros salários. Depois de tanto tempo, eu acabei desenvolvendo algumas noções básicas – o famoso bom-senso – e poderia até dispensar o uso desta ferramenta sem grandes prejuízos.

Então para que eu continuo alimentando aqueles controles, registrando despesa e receita? É porque gosto do resultado, de conhecer a minha real situação material, de observar os meus bons e maus hábitos financeiros e acompanhar a evolução do patrimônio. Consciência mesmo quando dolorida é importante, gosto de ter base para traçar metas para o meu futuro, enfim, de ter um controle nas mãos, até onde isto é possível.

Quem não conhece o método normalmente receia ficar preso a restrições e continhas chatas. É, não vou negar que você pode perder-se nos detalhes e isso tomaria tempo. Então, a norma é simplificar ao máximo. Faça um favor a você mesmo, aproveite e dê alguns passos na direção de sua independência financeira – reduza o número de contas correntes, de cartões de crédito, parcelas, cheques pré-datados e tudo o que complica e confunde.

Existem várias maneiras de se elaborar e seguir um orçamento, truques e atitudes que o tornam ainda mais eficaz. Curiosidade: após alguns anos, me dei alguns luxos, como por exemplo, incluir uma categoria de despesas que pode ser “torrada” em qualquer coisa e, acreditem, às vezes eu prefiro poupá-la!

Não é para qualquer um, os primeiros meses exigem coragem… Eu olharei de frente para o fluxo meu dinheiro – de onde vem, para onde vai e conhecer quem sou eu financeiramente. Sem o orçamento, pensamos que sabemos, mas a maioria de nós se ilude muito. Sem ele, o planejamento será menos sólido e provavelmente otimista demais. Busque esta coragem e entre em ação.

O resultado vale muito à pena, ou as empresas e os projetos de sucesso não teriam orçamento!
Andréa Voûte

Quatro cestos

Que tal terminar o ano mais leve? Sugestão: separe 4 cestos ou caixas e já comece uma arrumação. Separar por tipo de objeto e não por cômodo da casa facilita muito, só assim você vê o todo. Adote hábitos como descartar um produto sempre que compra outro novo ou escolha o que estiver sem uso por um ano ou mais e você tem dúvidas se usará novamente para um destes cestos. Deixe-os à vista e vá enchendo aos poucos enquanto organiza. Depois de dar um destino às coisas separadas, você recomeça o processo. Assim você facilita a limpeza e abre espaço para o novo.

1 RECICLAGEM. Se você ainda mistura lixo comum com material que pode ser reaproveitado, comece a fazer a separação. Procure uma cooperativa ou um catador, eles ficarão felizes com a sua doação que poderá gerar renda para eles. O meio-ambiente agradece, os lixões são um sério problema e na vida urbana geramos um excesso de resíduos. Produtos rasgados, quebrados, mofados, esticados, manchados, faltando peça, etc podem descartados para reciclagem ou ser usados por mais algum tempo pelo próprio dono. Reutilizar também é reciclar, mas não vale acumular por mais anos e anos sem uso.

2 TROCA. Em feiras de trocas ou entre conhecidos. Há coisas que você usa uma vez ou duas como livros, discos ou jogos. Aquela linda peça de vestuário em bom estado que não te serve mais ou que não era o que você esperava. O brinquedo da criança que cresceu ou ganhou dois iguais. O enfeite que você não tem mais tempo de limpar. A planta que já gerou mudas. O material de construção que sobrou da obra. Não leve a feiras produtos de alto valor monetário, antiguidades raras, produtos que envolvam drogas, pornografia, preconceito ou armas.

3 DOAÇÃO. Há famílias e instituições realmente pobres para quem sua doação fará muita diferença. Procure-as e ajude, diretamente ou através de campanhas! Participe de todo o processo se possível, doando também o seu tempo para organizar e entregar as doações, conhecendo quem recebeu e o que mais ela precisa. Respeite as pessoas doando objetos em bom estado, faça novas amizades e pratique a generosidade. Doar é um ato que dá prazer e vicia, você pode fazer disso um hábito e contemplar pessoas diferentes com a sua doação.

4. VENDA. Navegue pelos sites onde pessoas compram e vendem usados, veja os anúncios, pesquise os preços e as condições das vendas. Mesmo novos na caixa normalmente os objetos são vendidos por um valor menor do que na loja. Alguns grupos do Facebook fazem comércio e troca por região e eles são bastante movimentados. Fique atento a coisas que valorizaram pela raridade, pela moda, pela antiguidade ou qualquer outro motivo, você pode se surpreender. Pense nos colecionadores também e divulgue entre os amigos e família o que você gostaria de vender. Isso pode desafogar suas finanças e o seu espaço.

Andréa Voûte

O que chamamos de dinheiro

Primeiro foram os cartões de crédito e débito, depois formas de pagamento como PayPal (do E-bay, EUA) que passa pelo cartão de crédito, sua digital, íris e tokens e agora outras que não tem qualquer relação com o que já conhecemos. O dinheiro vivo é cada vez menos usado, somente cerca de 5% das transações financeiras do mundo. Na China, é comum pagar nas lojas e camelôs apontando o celular para uma plaquinha com um QR Code (uma espécie de código de barras) do estabelecimento e Alipay da empresa Alibaba e WeChatPay da empresa Tencent são os meios de pagamento mais usados.

As fintechs são empresas do mercado financeiro que usam intensamente a tecnologia para prestar serviços modernos, menos burocráticos e mais baratos. Elas costumam ser mais especializadas, oferecendo somente um serviço, como conta digital, cartão de crédito, investimentos ou empréstimos. Bancos digitais sem agências físicas, cartões de crédito sem tarifas, empréstimos a juros menores. Quanto mais a tecnologia avança e o seu custo cai, mais estímulos para as fintechs decolarem. Mesmo assim, algumas já quebraram e muitas dão prejuízo ou um lucro que nem chega perto das instituições financeiras convencionais.

São fruto da insatisfação dos clientes bancários que ficam nos bancos por obrigação e por insegurança mas não gostam dos serviços, desconfiam da isenção dos conselhos recebidos, acham caras as tarifas e juros e prefeririam ter mais opções de bancos concorrendo. Os bancos já estão reagindo, tentando criar alternativas competitivas e questionando a segurança dos dados e do patrimônio dos clientes que as fintechs proporcionam.

“A criptomoeda (ou criptodinheiro) é um meio de troca que se utiliza de criptografia para assegurar transações e para controlar a criação de novas unidades da moeda.[1] Criptomoedas são um subconjunto das moedas digitais. O Bitcoin tornou-se a primeira criptomoeda descentralizada em 2009.[2]  Desde então, inúmeras criptomoedas foram criadas.[3] Criptomoedas usam um controle descentralizado, ao contrário de sistemas bancários centralizados.[4]  O controle descentralizado está relacionado ao uso do block chain (Banco de transações do Bitcoin) no papel de livro de registros.[5] ”  Wikipedia

Um programador japonês (ou empresa) de pseudônimo Satoshi Sakamoto desenvolveu o Bitcoin – BTC – em 2009. A partir daí, surgiram muitas outras, como Ethereum (ETH), Stratis (STRAT), Ripple (XRP), Siacoin (SC), Dash (DASH), Aeon (AEON).

Você baixa um programa que é uma carteira virtual, compra seus primeiros Bitcoins com dinheiro real e depois começa a usar, por exemplo, pagando compras virtuais. Tem algumas semelhanças com câmbio de moedas estrangeiras, inclusive com emissão limitada. Usuários “mineiros” emprestam o seu computador para resolver cálculos e ganham Bitcoins, mas a mineração rende pouco e exige muito processamento e energia elétrica.

Os governos tratam as criptomoedas de formas bem diferentes e todos estão atentos e planejando maneiras de taxar e regular as transações feitas com elas. A ideia é ter moedas internacionais, independentes e anônimas que diminuam a violência e economizem as despesas com impressão, transporte e armazenagem do dinheiro físico. Mas não ter para quem reclamar ou a quem rastrear e processar não inspira segurança. Além disso, dinheiro virtual também precisa ser protegido e ver os dígitos sumirem da sua conta também é uma forma de violência.

Algumas pessoas estão usando as criptomoedas para especular, o que é arriscadíssimo pela alta volatilidade (os preços oscilam mais do que ações, dólar e ouro) e alto índice de roubo e fraude. A liquidez é menor do que Dólar e Euro e mesmo para usar como forma de pagamento ainda é pequena a aceitação. Para arriscar-se a investir nas criptomoedas, você precisaria acompanhar de perto as notícias sobre elas, sobre tecnologia e todos os fatores políticos e econômicos que poderiam influenciar a moeda a subir ou cair. Mesmo que use uma corretora.

O dinheiro em espécie é algo concreto e portanto fácil de entender e sentir. Por tudo o que já estudei sobre psicologia do dinheiro e finanças comportamentais, imagino os gastadores gastando mais e os desligados do dinheiro ficando ainda mais desligados. Pagar com dinheiro em papel faz com que você use o tato, a visão e o olfato; para planejar os saques e contar o troco você pensou e adquiriu uma consciência maior do seu gasto. Receber em dinheiro também é gostoso e contar as notas, esconder no cofre, ver a criança juntar no cofrinho, colecionar moedas estrangeiras, tudo isso tende a virar história em breve. Os conceitos de liquidez, riqueza, crédito e investimento estão mudando e quanto mais você entender de tecnologia melhor.

Postura ativa e responsável

Imagine que estejamos vivendo um dia normal, quando de repente surge um imprevisto. Sabemos que isso pode acontecer e que são várias as atitudes que podemos tomar. Digamos que nossas reações em determinados momentos podem ter uma tendência ativa e, em outros momentos, passiva. Vamos ver o exemplo abaixo:

Uma pessoa, em um ato bastante comum e aparentemente generoso, empresta seu cartão de crédito para uma amiga fazer compras. Essa pessoa possivelmente acabará, com problemas e talvez o nome sujo na praça. Se isso acontecer, pela postura passiva adotada – provavelmente por considerar a amiga confiável – está claro que ela é igualmente responsável pela situação criada. Em situações assim, também é comum que, para não ficar chato, ela não cobre a amiga. Magoada e constrangida ela fala com o banco, reclama dos juros, perde tempo, dinheiro e, como não poderia deixar de ser, a amizade fica abalada. Para evitar esse tipo de situação, adotar uma postura “ativa” é sempre a melhor solução, que, nesse caso, seria simplesmente ter dito, de forma delicada, que não poderia emprestar o cartão. Talvez acompanhada de uma orientação de como não precisar pedir emprestado o cartão alheio para que a amiga também seja mais ativa e autônoma em suas finanças.

Nesse exemplo estamos falando de escolhas possíveis, sendo que a mais “fácil” pode tornar uma pessoa vítima das circunstâncias. A mais “difícil”, porém, poderá evitar problemas e trará mais tranquilidade no futuro. Decisões desse tipo tranquilizam e enriquecem. O autocontrole é bem melhor do que tentar controlar o outro; o autoconhecimento primeiro e depois conhecer o outro; a autocrítica é mais útil do que criticar o outro, a autoestima é mais importante do que os aplausos alheios.

Ser adulto é fazer a nossa parte primeiro, é vencer a preguiça, é ter coragem, é persistir, é ter palavra e sustentar-se. Você já observou uma pessoa imatura e pensou que caberia aos pais não mimarem os filhos e aos filhos recusarem os mimos? Isso se estende a outras relações também, por exemplo entre chefes e funcionários, entre marido e mulher ou até entre prestadores de serviços e clientes. Pessoas dependentes que ficam procurando alguém para seguir e pessoas mimadas que ficam procurando alguém que as sirva não se desenvolvem, não conquistam nada e desperdiçam o seu potencial no tédio da vida passiva.

Exemplos de perguntas improdutivas: Quem é o culpado?  O que pode ser pior do que isso?  Quem vai pagar por isso?  Como posso provar que estou certo?  Quando as coisas vão mudar?

Exemplos de perguntas produtivas: O que eu posso fazer para resolver ou minimizar o problema? O que eu posso aprender com isso? O que eu posso fazer para evitar que aconteça novamente? Como aceitar e me adaptar ao que não tenho sob controle? 

Andréa Voûte

Os desejos e a liberdade

Tantas coisas almejamos fazer com nosso dinheiro que já não sabemos o que nasceu em nosso interior e o que foi influência de quem convivemos ou “implantado” pelas grandes empresas, já que os mecanismos do marketing moderno são sofisticadíssimos e sutis. Hoje o marketing conhece nosso cérebro e comportamento melhor do que nós mesmos.

Vamos resolver isso então! Mergulhemos cada vez mais no autoconhecimento, observando diariamente a nós mesmos. Prestemos atenção nos números, nas emoções ao ganhar, gastar, poupar, investir, perder e doar. Parece que gastar traz felicidade, que merecemos mais, que podemos tudo, que as condições de pagamento estão facilitadas, mas racionalmente já sabemos que não é bem assim.

Como transformar um rico em pobre, um feliz em infeliz, um calmo em estressado? A fórmula é bem simples, faça ele desejar cada vez mais e gastar tudo o que tem e mais um pouco, faça ele sentir-se ultrapassado e por fora, aumente as expectativas e chame os luxos de necessidade. Toda a sua riqueza será engolida pelos juros, toda a sua satisfação será sufocada pela ambição insaciável e toda a sua calma será atormentada pelas dívidas e dúvidas sobre conseguir cumprir todos os compromissos que gerou.

Uma das coisas que a maioria das pessoas felizes tem em comum é gostar do que tem e dar valor às pequenas coisas. Só que estamos expostos a milhares de propagandas por dia que nos dizem claramente ou insinuam o contrário. Somos atraídos para a novidade, seduzidos pela perfeição, induzidos ao prazer do consumo e levados a acreditar que temos coisas antiquadas e uma vida sem graça. Não se trata de uma teoria da conspiração para deixar a todos mal, basta que quem venda algo seja egoísta e não se importe verdadeiramente com o consumidor nem com o meio-ambiente. É quem gasta que precisa ter muita consciência.

Tenho visto pobres que ganham muito bem e vivem no luxo, mas se ficarem um mês sem trabalhar seu castelo de areia desmorona e estão em sérios apuros. Tenho visto pessoas de natureza simples serem influenciadas pelo consumismo e aumentarem a sofisticação gradualmente até o ponto da futilidade. Tenho visto vaidosos que trocam o cuidar-se por produzir-se e ainda que gostem do que veem no espelho, não se reconhecem ali e, sem todos os acessórios e recursos, ao saírem do banho sentem-se incompletos, quando deveria ser o contrário. Tenho visto ricos que financiam o consumismo alheio e são coniventes com a preguiça dos seus dependentes, comprando assim o afeto e a presença de quem deveria estar por perto naturalmente.

Não precisamos nos torturar inutilmente por valores irrelevantes nem poupar cada centavo, não nos permitindo usufruir do fruto de nosso trabalho, é claro. É uma questão de cuidar da sanidade mental e da liberdade, evitando nos deixar escravizar por coisas que na verdade não importam.