Quatro cestos

Que tal terminar o ano mais leve? Sugestão: separe 4 cestos ou caixas e já comece uma arrumação. Separar por tipo de objeto e não por cômodo da casa facilita muito, só assim você vê o todo. Adote hábitos como descartar um produto sempre que compra outro novo ou escolha o que estiver sem uso por um ano ou mais e você tem dúvidas se usará novamente para um destes cestos. Deixe-os à vista e vá enchendo aos poucos enquanto organiza. Depois de dar um destino às coisas separadas, você recomeça o processo. Assim você facilita a limpeza e abre espaço para o novo.

1 RECICLAGEM. Se você ainda mistura lixo comum com material que pode ser reaproveitado, comece a fazer a separação. Procure uma cooperativa ou um catador, eles ficarão felizes com a sua doação que poderá gerar renda para eles. O meio-ambiente agradece, os lixões são um sério problema e na vida urbana geramos um excesso de resíduos. Produtos rasgados, quebrados, mofados, esticados, manchados, faltando peça, etc podem descartados para reciclagem ou ser usados por mais algum tempo pelo próprio dono. Reutilizar também é reciclar, mas não vale acumular por mais anos e anos sem uso.

2 TROCA. Em feiras de trocas ou entre conhecidos. Há coisas que você usa uma vez ou duas como livros, discos ou jogos. Aquela linda peça de vestuário em bom estado que não te serve mais ou que não era o que você esperava. O brinquedo da criança que cresceu ou ganhou dois iguais. O enfeite que você não tem mais tempo de limpar. A planta que já gerou mudas. O material de construção que sobrou da obra. Não leve a feiras produtos de alto valor monetário, antiguidades raras, produtos que envolvam drogas, pornografia, preconceito ou armas.

3 DOAÇÃO. Há famílias e instituições realmente pobres para quem sua doação fará muita diferença. Procure-as e ajude, diretamente ou através de campanhas! Participe de todo o processo se possível, doando também o seu tempo para organizar e entregar as doações, conhecendo quem recebeu e o que mais ela precisa. Respeite as pessoas doando objetos em bom estado, faça novas amizades e pratique a generosidade. Doar é um ato que dá prazer e vicia, você pode fazer disso um hábito e contemplar pessoas diferentes com a sua doação.

4. VENDA. Navegue pelos sites onde pessoas compram e vendem usados, veja os anúncios, pesquise os preços e as condições das vendas. Mesmo novos na caixa normalmente os objetos são vendidos por um valor menor do que na loja. Alguns grupos do Facebook fazem comércio e troca por região e eles são bastante movimentados. Fique atento a coisas que valorizaram pela raridade, pela moda, pela antiguidade ou qualquer outro motivo, você pode se surpreender. Pense nos colecionadores também e divulgue entre os amigos e família o que você gostaria de vender. Isso pode desafogar suas finanças e o seu espaço.

Andréa Voûte

O que chamamos de dinheiro

Primeiro foram os cartões de crédito e débito, depois formas de pagamento como PayPal (do E-bay, EUA) que passa pelo cartão de crédito, sua digital, íris e tokens e agora outras que não tem qualquer relação com o que já conhecemos. O dinheiro vivo é cada vez menos usado, somente cerca de 5% das transações financeiras do mundo. Na China, é comum pagar nas lojas e camelôs apontando o celular para uma plaquinha com um QR Code (uma espécie de código de barras) do estabelecimento e Alipay da empresa Alibaba e WeChatPay da empresa Tencent são os meios de pagamento mais usados.

As fintechs são empresas do mercado financeiro que usam intensamente a tecnologia para prestar serviços modernos, menos burocráticos e mais baratos. Elas costumam ser mais especializadas, oferecendo somente um serviço, como conta digital, cartão de crédito, investimentos ou empréstimos. Bancos digitais sem agências físicas, cartões de crédito sem tarifas, empréstimos a juros menores. Quanto mais a tecnologia avança e o seu custo cai, mais estímulos para as fintechs decolarem. Mesmo assim, algumas já quebraram e muitas dão prejuízo ou um lucro que nem chega perto das instituições financeiras convencionais.

São fruto da insatisfação dos clientes bancários que ficam nos bancos por obrigação e por insegurança mas não gostam dos serviços, desconfiam da isenção dos conselhos recebidos, acham caras as tarifas e juros e prefeririam ter mais opções de bancos concorrendo. Os bancos já estão reagindo, tentando criar alternativas competitivas e questionando a segurança dos dados e do patrimônio dos clientes que as fintechs proporcionam.

“A criptomoeda (ou criptodinheiro) é um meio de troca que se utiliza de criptografia para assegurar transações e para controlar a criação de novas unidades da moeda.[1] Criptomoedas são um subconjunto das moedas digitais. O Bitcoin tornou-se a primeira criptomoeda descentralizada em 2009.[2]  Desde então, inúmeras criptomoedas foram criadas.[3] Criptomoedas usam um controle descentralizado, ao contrário de sistemas bancários centralizados.[4]  O controle descentralizado está relacionado ao uso do block chain (Banco de transações do Bitcoin) no papel de livro de registros.[5] ”  Wikipedia

Um programador japonês (ou empresa) de pseudônimo Satoshi Sakamoto desenvolveu o Bitcoin – BTC – em 2009. A partir daí, surgiram muitas outras, como Ethereum (ETH), Stratis (STRAT), Ripple (XRP), Siacoin (SC), Dash (DASH), Aeon (AEON).

Você baixa um programa que é uma carteira virtual, compra seus primeiros Bitcoins com dinheiro real e depois começa a usar, por exemplo, pagando compras virtuais. Tem algumas semelhanças com câmbio de moedas estrangeiras, inclusive com emissão limitada. Usuários “mineiros” emprestam o seu computador para resolver cálculos e ganham Bitcoins, mas a mineração rende pouco e exige muito processamento e energia elétrica.

Os governos tratam as criptomoedas de formas bem diferentes e todos estão atentos e planejando maneiras de taxar e regular as transações feitas com elas. A ideia é ter moedas internacionais, independentes e anônimas que diminuam a violência e economizem as despesas com impressão, transporte e armazenagem do dinheiro físico. Mas não ter para quem reclamar ou a quem rastrear e processar não inspira segurança. Além disso, dinheiro virtual também precisa ser protegido e ver os dígitos sumirem da sua conta também é uma forma de violência.

Algumas pessoas estão usando as criptomoedas para especular, o que é arriscadíssimo pela alta volatilidade (os preços oscilam mais do que ações, dólar e ouro) e alto índice de roubo e fraude. A liquidez é menor do que Dólar e Euro e mesmo para usar como forma de pagamento ainda é pequena a aceitação. Para arriscar-se a investir nas criptomoedas, você precisaria acompanhar de perto as notícias sobre elas, sobre tecnologia e todos os fatores políticos e econômicos que poderiam influenciar a moeda a subir ou cair. Mesmo que use uma corretora.

O dinheiro em espécie é algo concreto e portanto fácil de entender e sentir. Por tudo o que já estudei sobre psicologia do dinheiro e finanças comportamentais, imagino os gastadores gastando mais e os desligados do dinheiro ficando ainda mais desligados. Pagar com dinheiro em papel faz com que você use o tato, a visão e o olfato; para planejar os saques e contar o troco você pensou e adquiriu uma consciência maior do seu gasto. Receber em dinheiro também é gostoso e contar as notas, esconder no cofre, ver a criança juntar no cofrinho, colecionar moedas estrangeiras, tudo isso tende a virar história em breve. Os conceitos de liquidez, riqueza, crédito e investimento estão mudando e quanto mais você entender de tecnologia melhor.

Postura ativa e responsável

Imagine que estejamos vivendo um dia normal, quando de repente surge um imprevisto. Sabemos que isso pode acontecer e que são várias as atitudes que podemos tomar. Digamos que nossas reações em determinados momentos podem ter uma tendência ativa e, em outros momentos, passiva. Vamos ver o exemplo abaixo:

Uma pessoa, em um ato bastante comum e aparentemente generoso, empresta seu cartão de crédito para uma amiga fazer compras. Essa pessoa possivelmente acabará, com problemas e talvez o nome sujo na praça. Se isso acontecer, pela postura passiva adotada – provavelmente por considerar a amiga confiável – está claro que ela é igualmente responsável pela situação criada. Em situações assim, também é comum que, para não ficar chato, ela não cobre a amiga. Magoada e constrangida ela fala com o banco, reclama dos juros, perde tempo, dinheiro e, como não poderia deixar de ser, a amizade fica abalada. Para evitar esse tipo de situação, adotar uma postura “ativa” é sempre a melhor solução, que, nesse caso, seria simplesmente ter dito, de forma delicada, que não poderia emprestar o cartão. Talvez acompanhada de uma orientação de como não precisar pedir emprestado o cartão alheio para que a amiga também seja mais ativa e autônoma em suas finanças.

Nesse exemplo estamos falando de escolhas possíveis, sendo que a mais “fácil” pode tornar uma pessoa vítima das circunstâncias. A mais “difícil”, porém, poderá evitar problemas e trará mais tranquilidade no futuro. Decisões desse tipo tranquilizam e enriquecem. O autocontrole é bem melhor do que tentar controlar o outro; o autoconhecimento primeiro e depois conhecer o outro; a autocrítica é mais útil do que criticar o outro, a autoestima é mais importante do que os aplausos alheios.

Ser adulto é fazer a nossa parte primeiro, é vencer a preguiça, é ter coragem, é persistir, é ter palavra e sustentar-se. Você já observou uma pessoa imatura e pensou que caberia aos pais não mimarem os filhos e aos filhos recusarem os mimos? Isso se estende a outras relações também, por exemplo entre chefes e funcionários, entre marido e mulher ou até entre prestadores de serviços e clientes. Pessoas dependentes que ficam procurando alguém para seguir e pessoas mimadas que ficam procurando alguém que as sirva não se desenvolvem, não conquistam nada e desperdiçam o seu potencial no tédio da vida passiva.

Exemplos de perguntas improdutivas: Quem é o culpado?  O que pode ser pior do que isso?  Quem vai pagar por isso?  Como posso provar que estou certo?  Quando as coisas vão mudar?

Exemplos de perguntas produtivas: O que eu posso fazer para resolver ou minimizar o problema? O que eu posso aprender com isso? O que eu posso fazer para evitar que aconteça novamente? Como aceitar e me adaptar ao que não tenho sob controle? 

Andréa Voûte

Os desejos e a liberdade

Tantas coisas almejamos fazer com nosso dinheiro que já não sabemos o que nasceu em nosso interior e o que foi influência de quem convivemos ou “implantado” pelas grandes empresas, já que os mecanismos do marketing moderno são sofisticadíssimos e sutis. Hoje o marketing conhece nosso cérebro e comportamento melhor do que nós mesmos.

Vamos resolver isso então! Mergulhemos cada vez mais no autoconhecimento, observando diariamente a nós mesmos. Prestemos atenção nos números, nas emoções ao ganhar, gastar, poupar, investir, perder e doar. Parece que gastar traz felicidade, que merecemos mais, que podemos tudo, que as condições de pagamento estão facilitadas, mas racionalmente já sabemos que não é bem assim.

Como transformar um rico em pobre, um feliz em infeliz, um calmo em estressado? A fórmula é bem simples, faça ele desejar cada vez mais e gastar tudo o que tem e mais um pouco, faça ele sentir-se ultrapassado e por fora, aumente as expectativas e chame os luxos de necessidade. Toda a sua riqueza será engolida pelos juros, toda a sua satisfação será sufocada pela ambição insaciável e toda a sua calma será atormentada pelas dívidas e dúvidas sobre conseguir cumprir todos os compromissos que gerou.

Uma das coisas que a maioria das pessoas felizes tem em comum é gostar do que tem e dar valor às pequenas coisas. Só que estamos expostos a milhares de propagandas por dia que nos dizem claramente ou insinuam o contrário. Somos atraídos para a novidade, seduzidos pela perfeição, induzidos ao prazer do consumo e levados a acreditar que temos coisas antiquadas e uma vida sem graça. Não se trata de uma teoria da conspiração para deixar a todos mal, basta que quem venda algo seja egoísta e não se importe verdadeiramente com o consumidor nem com o meio-ambiente. É quem gasta que precisa ter muita consciência.

Tenho visto pobres que ganham muito bem e vivem no luxo, mas se ficarem um mês sem trabalhar seu castelo de areia desmorona e estão em sérios apuros. Tenho visto pessoas de natureza simples serem influenciadas pelo consumismo e aumentarem a sofisticação gradualmente até o ponto da futilidade. Tenho visto vaidosos que trocam o cuidar-se por produzir-se e ainda que gostem do que veem no espelho, não se reconhecem ali e, sem todos os acessórios e recursos, ao saírem do banho sentem-se incompletos, quando deveria ser o contrário. Tenho visto ricos que financiam o consumismo alheio e são coniventes com a preguiça dos seus dependentes, comprando assim o afeto e a presença de quem deveria estar por perto naturalmente.

Não precisamos nos torturar inutilmente por valores irrelevantes nem poupar cada centavo, não nos permitindo usufruir do fruto de nosso trabalho, é claro. É uma questão de cuidar da sanidade mental e da liberdade, evitando nos deixar escravizar por coisas que na verdade não importam.

A vulgarização do crédito

Ouvir que uma pessoa ou empresa tem crédito soa como elogio. Podemos entender com isto que ali há o costume de honrar os compromissos, de cumprir a palavra e agir com responsabilidade. Partindo dessa premissa, basta analisar as condições: qual o valor a ser emprestado e de que forma este dinheiro pode voltar para as mãos do credor com algum lucro e menor risco.

Não faz tanto tempo assim que o uso do crédito respeitava um bom senso, apenas em situações realmente urgentes, oportunidades únicas e “casos de vida ou morte”, como se dizia na época. E era comum ver pessoas físicas e jurídicas que ao longo da vida endividavam-se uma ou duas vezes, no exato valor da emergência. A oferta era menor, algum “fiado” era aceitável.

Hoje isto mudou, o crédito está infiltrado na sociedade e quase todos convivem com ele por anos, como se fosse normal ou até necessário. Para que viver a vida que o salário pode pagar se estamos rodeados de ofertas intermináveis de um dinheirinho extra a ser “somado” ao nosso? Isso nos permite satisfazer mais desejos e parecer que temos e podemos muito mais, como aqueles que estão um degrau acima na escala social podem e tem! Não te parece fácil demais?

Permitam-me ser a chata que chama para a realidade àqueles que sentem os limites do cheque especial e cartão de crédito como sendo seus… Isto é um recurso de terceiros, a ser devolvido a um preço bastante alto por sinal. Na prática, quem usar estes recursos para consumo, muitas vezes estará “presenteando” o credor com um valor equivalente, pagando o dobro do que vale aquele bem. Se o uso for para pagar as contas do dia-a-dia, é necessário rever imediatamente o orçamento, ou elaborá-lo, caso não exista ainda.

Como já sabemos, o dinheiro pode ser muito bem utilizado, mas os juros do crédito não são um bom exemplo disso. Dever compromete a liberdade, a dignidade, a honestidade, a paz, o futuro e a qualidade de vida, isso sem falar nos prejuízos materiais… Pense se é realmente necessário cair nesta situação. Pode ser que não haja mesmo outra saída e, neste caso, as escolhas devem ser pesquisadas e planejadas com extremo cuidado, da melhor forma possível.
Andréa Voûte

Comparação inteligente de preços

Imagem gratuita do Pixabay

As diferentes embalagens dificultam bastante nossa comparação entre os produtos e uma decisão rápida e consciente. Vejam o caso do supermercado, onde o certo seria saber o preço por litro / kilo / metro / unidade, na prateleira. Além disso, vale considerar a qualidade e o rendimento (ou concentração) do produto, que podem variar bastante. Para quem acha que todos os produtos industrializados seguem um padrão mínimo de qualidade, pergunte a quem já visitou ou trabalhou em mais de uma indústria…

Tomemos como exemplo o papel higiênico e o suco pronto.

Rolos de papel higiênico podem ter 30 ou 60 metros. Qual compra vale mais à pena – 8 rolos de 30 metros folha simples comum por $5,69 ou 4 rolos de 30 metros folha dupla macia por $7,14? O simples custa 2 centavos por metro e se dissolve mais facilmente, mas você precisa usar o dobro da quantidade enquanto o macio custa 6 centavos o metro (o triplo), só que rende mais e talvez você possa usar também como lencinho para acudir gripes ou limpar algumas coisas delicadas.

E na hora de comprar o suco, você preferiria um concentrado por $15,00/litro ou pronto por $5,00/litro? Depende da diluição, de quanto rende o concentrado. Sabendo que a maioria dos sucos tem corante, espessante e aromatizante (incluindo os concentrados) você estaria disposto a pagar mais por um produto natural? E por um sabor exótico de fruta do Nordeste ou da Europa? Você acha que vale à pena um suco light ou diet mesmo sem que você seja diabético ou obeso?

A quantidade de opções nos confunde, chegue ao supermercado com algumas ideias já formadas e procure saber o preço por unidade. Minha maior surpresa foi constatar que nem sempre as embalagens de maior quantidade são realmente mais econômicas, acontece de serem do mesmo preço ou até mais caras… Compare!

Qual é o preço do kg de cada alimento que você costuma consumir? E se algum deles for bem leve ou muito pesado, se algum deles você consumir em grande quantidade ou pouquíssimo, também é preciso considerar. Com estes dados, fica mais fácil cruzá-los com as informações nutricionais e decidir onde você está fazendo bons e maus negócios. Vamos a alguns itens de lanche que fiz uma média de supermercados diversos.

ALIMENTO R$/KG PESO QUANTIDADE
frios 50,00 pesado pequena
queijo 40,00 pesado pequena
pão de forma 10,00 leve grande
leite (litro) 3,00 pesado grande
café 20,00 médio pequena
margarina 10,00 pesado pequena
abacate 6,00 pesado pequena
banana 6,00 pesado média
laranja 4,00 pesado média
maçã 6,00 médio média
mamão 8,00 médio pequena
castanhas 90,00 médio pequena

E então?  O que você acha que vale quanto custa? Observe que nem sempre os alimentos saudáveis são os mais caros, pelo contrário.

Andréa Voûte

XX COISAS QUE APRENDI COM RATATOUILLE

(imagem free do Tom’s Guide)

Animação de sucesso da Pixar – Disney em 2007. Sim, é uma fantasia romântica e ingênua, mas…

  1. O lema do chef Gusteau: “Qualquer um pode cozinhar”. Importantíssimo em tempos de gourmetização de tudo e desvalorização das tarefas domésticas. Cozinhar é fundamental para a sua saúde, suas finanças, sua criatividade, autonomia e pode ser um forte elo entre as pessoas.
  2. A resposta do Remy ao ver Linguini tentando aventurar-se na culinária: “Qualquer um pode cozinhar, isso não quer dizer que qualquer um deva faze-lo.” Remy comandava Linguini, Colette o treinou e mesmo tendo experiência ele não tornou-se um cozinheiro de verdade. Já no papel de garçom, Linguini se mostrou eficiente. Se aquela atividade não for o seu negócio, aprenda só o básico para se virar e trabalhe com outra coisa.
  3. O complemento de Gusteau para seu lema: “Não deixe ninguém fixar seus limites baseado em quem você é, seu único limite é a sua alma. Qualquer um pode cozinhar, mas só os destemidos serão notáveis.” Ele destaca a importância da imaginação para criar e da determinação para experimentar combinações e métodos que podem não funcionar. Isso se aplica a várias atividades além da culinária nas quais você queira ganhar dinheiro.
  4. Remy era um ratinho com olfato e paladar extremamente apurados, o que o tornou o membro da colônia que testava todos os alimentos para ver se não estavam contaminados ou envenenados. Apesar de entender a importância do seu trabalho para o coletivo e de faze-lo com responsabilidade, ele detestava tudo aquilo e não ficou ali por muito tempo.
  5. Remy admirava os humanos, queria lavar as mãos (patas dianteiras), cozinhar e ler os livros de receitas. Isso não era muito aceito na colônia e especialmente pelo pai dele, que foi se conformando aos poucos. Quando você é muito diferente, ainda que diferenças positivas, talvez não seja o mais popular no seu grupo. O crítico Anton Ego confirma: “O mundo não costuma ser gentil com novos talentos e novas criações. O novo precisa de amigos.”
  6. As palavras de conforto de Gusteau para Remy: “Se ficar pensando no que perdeu, nunca conseguirá ver o que está por vir.” Para salvar o amado livro de receitas do chef Gusteau, Remy quase morreu e perdeu-se da família. Ao mesmo tempo ele conheceu uma vida nova e começou a conversar com o chef na sua imaginação e a seguir mais os seus ensinamentos. Nem sempre é possível ter um mentor pessoalmente, às vezes ler o que ele escreve e ouvir o que ele fala já fazem uma grande diferença.
  7. Cada sabor é único e a mistura deles também, assim como os aromas – e as duas coisas estão intimamente ligadas. Eis a parte mais curiosa e interessante da culinária.
  8. A vida toda Remy lidou com um conflito de cultura sobre o assunto do roubo. Ele estava cansado de roubar como os outros ratos, queria fazer; não queria somente pegar e sim acrescentar algo ao mundo. E Gusteau reforçava constantemente esta ideia: “A comida sempre vem para aqueles que adoram cozinhar. Um cozinheiro faz, um ladrão toma.” Em um momento do filme ele usou o roubo como vingança e quebrou a confiança de Linguini, perdendo o respeito dele por algum tempo.
  9. Pelo aspecto da Biologia, os ratos tem sua função na natureza como decompositores. Então o pai de Remy explicava que o que eles pegam ninguém queria. E Remy questionava: “Se ninguém quer, porque temos que roubar?” Boa pergunta sobre assuntos que ninguém gosta de pensar, como o nosso resíduo sólido (lixo), o meio ambiente, a cadeia alimentar e os animais considerados pragas.
  10. Linguini enganou a várias pessoas por um longo tempo. Depois que contou a verdade, perdeu o apoio da maioria, porém os que ficaram com ele abraçaram a causa completamente. Ele tentou preparar o espírito dos ouvintes começando sua confissão assim: “Sei que parece loucura, mas a verdade muitas vezes soa como loucura.”
  11. O chef Skinner era um tirano e não queria ajudar Linguini, mas teve que dar um emprego a ele, primeiro na limpeza e depois na cozinha. Ele boicotou e dificultou tudo desde o primeiro dia até fechar o restaurante, mas não adiantou porque Linguini abriu outro até melhor com seus amigos. Infelizmente há pessoas que gastam mais tempo atrapalhando do que ajudando, o que acaba prejudicando muito a elas próprias.
  12. O crítico Anton Ego era muito esnobe mas rendeu-se ao talento de Remy e escreveu uma linda carta no final do filme, que não posso transcrever toda aqui, mas vale a pena ver e rever. Ele reconhece que é bem mais fácil julgar do que fazer: “Uma porcaria medíocre é provavelmente mais significativa do que nossa crítica que assim a designa.” Todos nós que medimos, analisamos, orientamos e criticamos devemos profundo respeito a quem faz.
  13. O pai de Remy temia e odiava os humanos, chamando-os de inimigos e recomendando cuidado: “É assim que as coisas são. Não se pode mudar a natureza.” Remy recusava-se a incorporar este medo: “A natureza é mudança, pai, a parte que influenciamos. E começa quando decidimos.”
  14. A família de Remy demorou a aceitar suas estranhas escolhas e sua independência: “É difícil enfrentar o mundo sozinho.” Mas ele tentava mostrar que não tinha volta: “Não sou mais criança, sei me cuidar. … O pássaro um dia deixa o ninho.” O pai se assusta: “Não somos pássaros, somos ratos. Não deixamos o ninho e sim o aumentamos.” Mas em momentos críticos a família salvou Remy, livrando-o da armadilha e até ajudando a cozinhar quando todos abandonaram o restaurante.
  15. O sucesso repentino subiu à cabeça de Linguini. Depois de ficar rico e famoso devido ao talento de Remy e à herança do pai não reconheceu nada disso, enganando a todos e a si mesmo. Depois ele assumiu que não sabia cozinhar e começou a dar valor aos amigos e à namorada. O poder corrompe, se você deixar.
  16. Fazer algo em casa para a família é bem diferente de fazer profissionalmente. Colette explica a diferença: “Acha que cozinhar é bonitinho como a mamãe na cozinha? … Mamãe não enfrenta um restaurante lotado, com vários pedidos de pratos diferentes que tem que chegar perfeitos à mesa na mesma hora. Cada segundo conta, não desperdice tempo e energia e não deixe a bagunça acumular.”
  17. Colette era durona e lutava contra o machismo: “A cozinha tem hierarquia antiquada apoiada em regras feitas por homens velhos e estúpidos, para impossibilitar que as mulheres entrem nesse mundo.” Se nas residências brasileiras quando alguém cozinha ainda é mais comum que seja a mulher, nos restaurantes a maioria dos chefs é do sexo masculino.
  18. Remy tinha conflitos existenciais: “Finjo ser um rato para o meu pai, um humano para o Linguini e finjo que você (Gusteau) existe para ter com quem conversar.” Remy era antes de tudo um cozinheiro e por este sonho desafiou a morte, arriscou afastar-se da família para ficar entre os humanos, conversou com um fantasma e sofreu com dilemas até aprender a conciliar as coisas sem ter que escolher entre as duas metades de si mesmo.
  19. O filme incentiva a aceitar as diferenças, contesta preconceitos contra os iniciantes, os fracassados e os ratos. Linguini só entrou no restaurante por um favor à sua mãe, só começou a cozinhar porque derrubou a sopa, dependia totalmente do talento de Remy e só ficou como chef depois de saber que era filho do dono. Remy não conseguia a aprovação de ninguém e sofria preconceito dos humanos e dos ratos.
  20. Não importa o quanto as coisas estejam ruins agora, elas podem terminar muito bem! Nas vezes em que Remy teve os mais graves problemas – perder-se no esgoto, cair na armadilha do antigo chef, ser caçado em todos os lugares em que aparecia, perder o restaurante – ele venceu, deu a volta por cima em grande estilo, perseguindo seu sonho e melhorando em relação à situação anterior. Anton Ego afirmou: “Nem todos podem se tornar um grande artista, mas um grande artista pode vir de qualquer lugar.”

O QUE É REAL NO QUE VOCÊ INVEJA?

O QUE É REAL NO QUE VOCÊ INVEJA?

Andréa Voûte

Conheço os bastidores, os números, os desabafos, a saúde financeira, física e mental por trás das aparências. Muitas vezes, quanto mais bonito tudo parece, piores são as histórias. Sei quanto custa manter, o que foi preciso fazer para adquirir e a probabilidade de se perder determinado bem ou posição social.

Acompanho com preocupação a compulsão por gastos, o vício das dívidas, a irresponsabilidade de adultos que se cercam de uma falsa riqueza. Sinto o crescente interesse nas conquistas do outro e as comparações do nosso pior dia com o melhor dia do outro nos envenenando. Uso a tecnologia que nos liberta de algumas coisas e nos escraviza com outras, confundindo o que é real. Vejo a crescente autonomia feminina – mas nem tanto – o esforço do homem em parecer bem resolvido enquanto seu papel muda o tempo todo e o suposto poder dos filhos enquanto a sua dependência se prolonga.

Será que você não está desejando algo irreal, ilusório, que na verdade não existe? A aparência está supervalorizada e isso faz com que muito do que vemos não tenha lastro em fatos. Os motivos são diversos, recusar-se a a ver a verdade, enganar para impressionar ou para conseguir alguma coisa, só querer saber de coisas positivas, varrer a sujeira e reprimir os problemas para baixo do tapete por falta de coragem ou estar anestesiado por vícios. Somos avaliados e julgados o tempo todo e nem sempre o que consegue melhores resultados é o mais competente, ele pode ser simplesmente o político, o bom vendedor ou o comunicador eficaz. O casal mais romântico e apaixonado nas festas e na Internet não necessariamente é o mais feliz.

Ter um ótimo carro significa mais um interesse por carros do que poder aquisitivo. O motorista pode estar preso em infinitas parcelas ou ser apaixonado por carros, viciado em trocar o carro zero a cada ano. Pode ser uma pessoa insegura que precisa de um carro grande, potente e caro para se afirmar. Ou quem sabe ele passa por locais isolados, tem crianças pequenas, viaja muito com o carro ou transporta coisas grandes.

Andar sempre impecavelmente bem arrumada não significa ser rica. Isso diz mais sobre a vaidade da pessoa, a importância que ela dá aos símbolos, à comunicação, à visão e ao senso estético. Ela certamente gasta bastante tempo com isso, mas dinheiro… Algumas endividam-se em lojas, joalherias e salões, acabando com a saúde ao subir nos saltos e alisar os cabelos. Outras são criativas e costuram, fazem suas próprias máscaras, compram ou trocam peças usadas. E as fotos cuidadosamente escolhidas e editadas? Admiramos aquela imagem estática esquecendo que as pessoas são 3D e não estão sempre no seu melhor ângulo.

Você se impressiona com lindas mansões ou escritórios sofisticados? Nem sempre isso quer dizer patrimônio sólido, pode ser uma herança que a pessoa mal consegue sustentar, um local de trabalho com pressão insuportável ou o abrigo de uma família que mal se fala. A fachada impecável muitas vezes esconde um quintal entulhado, uma cozinha abandonada e armários cheios de mofo.

Se você se encanta com a leveza da bailarina aceite os seus calos, se almeja as medalhas do atleta pergunte da sua lista de lesões, se você inveja a emoção do cantor saiba das humilhações que ele passou, se sonha com o sucesso do empresário, esteja disposto a lutar e falhar. Toda conquista vem depois dos desafios e na biografia dos ricos e famosos tem dor, erros, sacrifícios e esforços.

O problema é o que deixamos de fazer

O PROBLEMA É O QUE DEIXAMOS DE FAZER

Andréa Voûte

As coisas mais sujas são as que recebem menos limpeza e não as que recebem menos sujeira. Sabemos que alguma sujeira é até boa, que celulares podem ser mais sujos do que sapatos, que mais vale uma limpeza frequente do que um produto forte. Interessante é que muitos destes conceitos se aplicam às finanças.

Nos recusamos a encarar as dívidas até que o nome fique sujo e com isso o crédito negado. Depois de estar sem tempo, dinheiro e energia para nada, sofrendo pressão dos cobradores, nossa reputação na lama, aí sim seremos obrigados a tomar uma atitude. Recomeçar, mudar hábitos, renegociar e limpar o nome levam tempo. Não se acostume a viver pendurado em dívidas, comece hoje a pensar e agir sobre isso!

Deixamos de fazer os controles financeiros porque são chatos, a não ser quando já estamos perdidos na escassez, desemprego ou fraudes. Quando fazemos, percebemos a importância deles e desfrutamos do resultado financeiro e mental. Não saber para onde vai o dinheiro, qual é a nossa real situação ou que opções temos é jogar com a sorte e normalmente resulta em azar. Se as suas finanças estiverem descontroladas, experimente mudar isso!

Emendamos uma atividade na outra, maratonamos seriados, trabalhamos sem interrupção, lotamos a agenda, navegamos na Internet por horas, boicotando as pausas necessárias. Sabemos que o sedentarismo é o novo cigarro! Só quando engordamos ou sentimos os sintomas físicos e mentais começamos a dar atenção para o que realmente importa. Mexa-se agora!

Da mesma forma, os gastos acontecem em um ritmo diário, mas não paramos para fazer um balanço e análise destes gastos até que as contas comecem a atrasar. Consumimos a nós mesmos no consumismo e a vida vai passando até o dia em que percebemos que desperdiçamos parte dela com ilusões e compulsões. Desprezamos os pequenos valores na hora de gastar e na hora de ganhar, acostumamo-nos com alguns desperdícios, subestimamos os custos e os riscos e superestimamos os benefícios e as possibilidades. Tenha consciência!

A velhice chega para todos os que estiverem vivos, a aposentadoria chega para quem trabalha, mas… parecem tão longe no tempo… Faça o seu planejamento financeiro ou estará nas mãos de seus filhos, INSS, bancos, planos de saúde e todas as mudanças que estes venham a sofrer.  Quanto antes você começar a preparar a sua aposentadoria, melhor ela tende a ser. Se você nunca ligou para conforto ou segurança, na velhice mudará de prioridades. Não espere mais para cuidar deste assunto inevitável!

Esquecemo-nos dos pobres com quem não temos contato e procuramos distância cada vez maior deles. Só quando nos ameaçam, nos incomodam, fedem ou nos fazem sentir culpados, começamos a pensar neles. Doações e trabalho voluntário são parte normal da vida, tratar empregados com justiça, pensar no coletivo e desenvolver a generosidade são atitudes sábias. Olhe para o lado por cima dos muros do egoísmo!

Não fique parado por medo da mudança ou por desconhecer o assunto, vá à luta! Não resolva somente os problemas visíveis e que já te atrapalham há tempos, resolva também os invisíveis e os previstos. Não esgote a boa vontade de quem te ajuda e compreende, deixando chegar ao ponto de ser julgado e desrespeitado. Não se preocupe só com o que aparece e afeta a sua imagem, trabalhe as coisas que só a terapeuta e o espelho sabem, ou nem eles… Não faça o certo simplesmente para evitar multas e punições, faça por você mesmo!

Gastador x acumulador

GASTADOR x ACUMULADOR

imagem free do Pixabay

Andréa Voûte

Ninguém é 100% gastador ou poupador e poucos encontram um equilíbrio razoável entre comprar demais e guardar demais. Na tabela abaixo coloquei o fruto de minhas observações da consultoria e da vida. Este não é um teste científico, é para você ver com qual tipo se identifica mais.

Nenhum dos dois gosta de ser pobre, porém o gastador sente-se mais à vontade na abundância e o acumulador na escassez e ironicamente a tendência é acontecer o inverso. O poupador pode aposentar-se antes e melhor se quiser, só que nunca estará satisfeito. Os dois receiam não ter dinheiro, nenhum deles aceita bem a pobreza, mas o acumulador pobre sofre um pouco menos e sai mais rápido, enquanto o gastador pobre terá mais problemas por mais tempo.

GASTADOR ACUMULADOR
Adora gastar em qualquer circunstância, em qualquer local, qualquer valor, com qualquer finalidade. Adora saber que poderia ter comprado mas disse não e guardou para o futuro.
Tudo para ele é barato. Tudo para ele é caro.
Torce para o shampoo acabar logo e ele poder abrir um novo, torce para a roupa não servir mais, para ele ter uma desculpa para ir à loja comprar uma nova, vibra quando o curso termina e já começa a pesquisar o próximo curso para fazer, na alegria de comprar o presente de aniversário já compra a roupa da festa e mais alguma coisa para ele também, normalmente não planejada e às vezes mais cara do que o presente. Costuma economizar, espremer o tubo da pasta de dentes, usar o mesmo computador por 10 anos, apagar as luzes e fechar as torneiras, escolher o carro só pensando no custo de manutenção, fazer tudo com as próprias mãos e consertar o sapato furado.
Orgulha-se de aproveitar a vida com alegria, considera-se uma pessoa leve e relaxada. É rígido e se orgulha da austeridade com que leva a vida, preocupa-se com a sua reputação.
Adora usar um produto novo e saber que pode comprar. Faz questão de usar produtos antigos e saber que está esticando a sua vida útil.
Sente-se superior em generosidade e humanismo ao poupador e o vê como egoísta, materialista, mesquinho e avarento. Sente-se superior ao gastador e rotula-o como infantil e inconsequente. Sente-se uma pessoa mais consciente, controlado, responsável e rico.
Existe o gastador que também é acumulador. Imagine comprar demais e depois não conseguir doar, vender ou jogar o que tem em excesso. Mesmo sabendo que já possui um enorme estoque daquele objeto, continua comprando. Adora colecionar objetos, carros, obras de arte ou até animais. Isso pode piorar e ocupar cada vez mais espaço, ele começa a guardar coisas inúteis e apegar-se a tudo. Cerca de 5% da população tem distúrbios de acumulação como o colecionismo. O colecionador pode ter várias manias como nos Transtornos Obsessivo-Compulsivos (TOC) e perde saúde física e mental, perde qualidade de vida e vive constantemente na bagunça e na sujeira.
Não gosta de perder, mas aceita melhor as perdas. Joga fora sem dó para ter a desculpa de poder comprar mais e pode vir a se arrepender. Sente-se desconfortável em desfazer-se das coisas que possui, podendo chegar a fobia de jogar fora e diz que quem guarda tem, mesmo sabendo que nunca mais usará.
É otimista e nas poucas vezes que pensa no futuro imagina tempos melhores, mais fáceis, prósperos e felizes. Quando tem reserva é para viajar, comprar algum bem ou realizar algum sonho de consumo o mais rápido possível. O gastador diz que a vida é curta e sabe que pode morrer amanhã, portanto devemos viver intensamente e curtir o momento. Morre de medo de ficar sem reserva de emergência. Sabe que o futuro pode trazer emergências absurdas, crises terríveis, doenças perigosas e acidentes caros. Contenta-se com uma recompensa futura maior e realiza mais sonhos. Diz que devemos ser prudentes e sabe que a expectativa de vida tem aumentado, portanto muitos de nós passaremos dos 100 anos de idade.
Inveja o futuro do poupador e sua segurança. Inveja o presente do gastador e sua alegria.
Quando vê que o investimento rende um baixo percentual por mês e um bem tem valorização lenta e incerta, logo desiste e gasta. Tem mais paciência e disciplina naturalmente para esperar o patrimônio crescer. Ele adora acompanhar a evolução dos seus investimentos e a valorização de seus bens. Precisa da sensação de fazer a coisa certa.
Perde prazos, parcela, refinancia, renegocia, paga multas e juros por atraso, complica tudo. Os dois gostam de pagar as contas em dia, mas o acumulador tem maior facilidade para conseguir.
O gastador tem uma lista de dívidas que normalmente nem está registrada. O acumulador tem uma carteira de investimentos que normalmente é bem controlada e gerenciada.
Mesmo empobrecendo não consegue parar de gastar. Mesmo ficando rico não para de acumular. Quer acumular dinheiro para várias gerações.
Rico será feliz mas pode perder tudo se exagerar e insistir em gastar mais do que ganha. Rico pode transformar-se naquele ambicioso insaciável que busca sempre mais um dígito.
Os que estão muito endividados tem vergonha das dívidas e sentem-se mal, fracassados e culpados. Alguns dão a volta por cima com grande esforço e outros acostumam-se ou até ficam viciados em dívidas. Tem horror a dívidas e muitos passam a vida toda sem fazer nenhuma. Costumam ter mais independência financeira em relação a outras pessoas.
É apaixonado por listas de compras ou de desejos de consumo, quando não estão no papel estão na memória todas as coisas que ele está “precisando” agora. Tudo é motivo para uma nova lista maior possível: quando vai viajar tem a lista de compras para a viagem, quando muda de moradia faz a lista de compras da reforma, muda frequentemente de atividade física e ao começar compra todo o equipamento para ela. Enfim, cada passo que ele dá gera uma nova leva de gastos. Sofre para gastar, sente-se culpado, fútil e inconsequente quando gasta. O acumulador está sempre pensando se aquilo não vai fazer falta, seja o dinheiro que gastou ou deixou de ganhar, o objeto que vendeu, doou ou descartou. Alguns comem alimentos estragados por dó de jogar fora.
Acha que a vida não vale a pena com orçamento curto demais, que não vale a pena trabalhar se não puder usufruir do resultado deste trabalho. Decidir o que não comprar é um sacrifício gigante. Tem horror de economizar, preencher controles, fazer orçamento, cortar gastos, contar moedinhas e fazer contas em geral. Vive de pão com ovo por um tempo se precisar, lazer é pizza de muzzarela, almoço é marmita, água é da torneira e na rua ele passa fome e sede mas não gasta. O acumulador costuma valorizar mais a vida simples. Não sofre para economizar porque não se importa com o presente e sim com o futuro.
O gastador se diverte pesquisando preços, escolhendo, olhando vitrines e caçando ofertas e ainda prefere comprar por impulso. Ele pode planejar as compras, mas sempre extrapola o plano. Se ele conseguiu pagar menos, vai acabar gastando o restante em outra coisa para compensar e não volta para casa com troco. Planeja as compras e segue o plano, espera, calcula e pesquisa. Pode comprar até mais que o gastador, mas são coisas grandes, caras e duráveis. Negocia até abaixar o preço ao menor valor possível. Não se preocupa tanto com o motivo de ser barato, se pode envolver roubo, escravidão, exploração ou sonegação.
Tem plena consciência que o dinheiro é um recurso para ser usado e acha o maior desperdício de tempo e energia vê-lo parado Espera que o dinheiro lhe traga segurança e paz e não se conforma com os desperdícios financeiros do gastador.
Poupa quando sobra depois de gastar. Gasta quando sobra depois de guardar.
Ajuda aos outros com mais frequência, mas também pede ajuda com mais frequência e não necessariamente as pessoas a quem ele ajuda são as mesmas para quem pede ajuda. Consegue ajudar a mais pessoas e nas crises são muito procurados para isso. Podem “adotar” alguns gastadores.
É mais facilmente manipulável para comprar compulsivamente mesmo sem poder ou precisar. Cerca de 5% da população tem Oniomania – compra demais. Só compra o que estava precisando ou planejando, às vezes nem isso.
Está mais interessado no prazer de gastar, no momento da compra do que no produto ou serviço em si. Para ele dinheiro traz alegria e prazer imediato. O gastador odeia esperar, ele é ansioso e quer tudo agora. Ele não precisa terminar o que começou nem faz questão de usar o que comprou. Compra menos e melhor.
Desperdiça dinheiro, tempo e energia comprando o que não precisa ou não pode e pagando juros. Desperdiça tempo e energia em busca do custo mínimo, economizando o que não precisa e desperdiça espaço guardando o que não usa.
Quando diz que está sem dinheiro é porque ele já gastou tudo o que tinha e mais alguma coisa de cheque especial e empréstimo. Quando diz que está totalmente sem dinheiro ele ainda tem uma reservinha.

 

Muitos gostam de ganhar mas podem sentir-se culpados e ser meio desligados do dinheiro. Gosta de ganhar dinheiro e pode tornar-se um escravo dele, pensando e falando só nisso.