Gastador x acumulador

GASTADOR x ACUMULADOR

imagem free do Pixabay

Andréa Voûte

Ninguém é 100% gastador ou poupador e poucos encontram um equilíbrio razoável entre comprar demais e guardar demais. Na tabela abaixo coloquei o fruto de minhas observações da consultoria e da vida. Este não é um teste científico, é para você ver com qual tipo se identifica mais.

Nenhum dos dois gosta de ser pobre, porém o gastador sente-se mais à vontade na abundância e o acumulador na escassez e ironicamente a tendência é acontecer o inverso. O poupador pode aposentar-se antes e melhor se quiser, só que nunca estará satisfeito. Os dois receiam não ter dinheiro, nenhum deles aceita bem a pobreza, mas o acumulador pobre sofre um pouco menos e sai mais rápido, enquanto o gastador pobre terá mais problemas por mais tempo.

GASTADOR ACUMULADOR
Adora gastar em qualquer circunstância, em qualquer local, qualquer valor, com qualquer finalidade. Adora saber que poderia ter comprado mas disse não e guardou para o futuro.
Tudo para ele é barato. Tudo para ele é caro.
Torce para o shampoo acabar logo e ele poder abrir um novo, torce para a roupa não servir mais, para ele ter uma desculpa para ir à loja comprar uma nova, vibra quando o curso termina e já começa a pesquisar o próximo curso para fazer, na alegria de comprar o presente de aniversário já compra a roupa da festa e mais alguma coisa para ele também, normalmente não planejada e às vezes mais cara do que o presente. Costuma economizar, espremer o tubo da pasta de dentes, usar o mesmo computador por 10 anos, apagar as luzes e fechar as torneiras, escolher o carro só pensando no custo de manutenção, fazer tudo com as próprias mãos e consertar o sapato furado.
Orgulha-se de aproveitar a vida com alegria, considera-se uma pessoa leve e relaxada. É rígido e se orgulha da austeridade com que leva a vida, preocupa-se com a sua reputação.
Adora usar um produto novo e saber que pode comprar. Faz questão de usar produtos antigos e saber que está esticando a sua vida útil.
Sente-se superior em generosidade e humanismo ao poupador e o vê como egoísta, materialista, mesquinho e avarento. Sente-se superior ao gastador e rotula-o como infantil e inconsequente. Sente-se uma pessoa mais consciente, controlado, responsável e rico.
Existe o gastador que também é acumulador. Imagine comprar demais e depois não conseguir doar, vender ou jogar o que tem em excesso. Mesmo sabendo que já possui um enorme estoque daquele objeto, continua comprando. Adora colecionar objetos, carros, obras de arte ou até animais. Isso pode piorar e ocupar cada vez mais espaço, ele começa a guardar coisas inúteis e apegar-se a tudo. Cerca de 5% da população tem distúrbios de acumulação como o colecionismo. O colecionador pode ter várias manias como nos Transtornos Obsessivo-Compulsivos (TOC) e perde saúde física e mental, perde qualidade de vida e vive constantemente na bagunça e na sujeira.
Não gosta de perder, mas aceita melhor as perdas. Joga fora sem dó para ter a desculpa de poder comprar mais e pode vir a se arrepender. Sente-se desconfortável em desfazer-se das coisas que possui, podendo chegar a fobia de jogar fora e diz que quem guarda tem, mesmo sabendo que nunca mais usará.
É otimista e nas poucas vezes que pensa no futuro imagina tempos melhores, mais fáceis, prósperos e felizes. Quando tem reserva é para viajar, comprar algum bem ou realizar algum sonho de consumo o mais rápido possível. O gastador diz que a vida é curta e sabe que pode morrer amanhã, portanto devemos viver intensamente e curtir o momento. Morre de medo de ficar sem reserva de emergência. Sabe que o futuro pode trazer emergências absurdas, crises terríveis, doenças perigosas e acidentes caros. Contenta-se com uma recompensa futura maior e realiza mais sonhos. Diz que devemos ser prudentes e sabe que a expectativa de vida tem aumentado, portanto muitos de nós passaremos dos 100 anos de idade.
Inveja o futuro do poupador e sua segurança. Inveja o presente do gastador e sua alegria.
Quando vê que o investimento rende um baixo percentual por mês e um bem tem valorização lenta e incerta, logo desiste e gasta. Tem mais paciência e disciplina naturalmente para esperar o patrimônio crescer. Ele adora acompanhar a evolução dos seus investimentos e a valorização de seus bens. Precisa da sensação de fazer a coisa certa.
Perde prazos, parcela, refinancia, renegocia, paga multas e juros por atraso, complica tudo. Os dois gostam de pagar as contas em dia, mas o acumulador tem maior facilidade para conseguir.
O gastador tem uma lista de dívidas que normalmente nem está registrada. O acumulador tem uma carteira de investimentos que normalmente é bem controlada e gerenciada.
Mesmo empobrecendo não consegue parar de gastar. Mesmo ficando rico não para de acumular. Quer acumular dinheiro para várias gerações.
Rico será feliz mas pode perder tudo se exagerar e insistir em gastar mais do que ganha. Rico pode transformar-se naquele ambicioso insaciável que busca sempre mais um dígito.
Os que estão muito endividados tem vergonha das dívidas e sentem-se mal, fracassados e culpados. Alguns dão a volta por cima com grande esforço e outros acostumam-se ou até ficam viciados em dívidas. Tem horror a dívidas e muitos passam a vida toda sem fazer nenhuma. Costumam ter mais independência financeira em relação a outras pessoas.
É apaixonado por listas de compras ou de desejos de consumo, quando não estão no papel estão na memória todas as coisas que ele está “precisando” agora. Tudo é motivo para uma nova lista maior possível: quando vai viajar tem a lista de compras para a viagem, quando muda de moradia faz a lista de compras da reforma, muda frequentemente de atividade física e ao começar compra todo o equipamento para ela. Enfim, cada passo que ele dá gera uma nova leva de gastos. Sofre para gastar, sente-se culpado, fútil e inconsequente quando gasta. O acumulador está sempre pensando se aquilo não vai fazer falta, seja o dinheiro que gastou ou deixou de ganhar, o objeto que vendeu, doou ou descartou. Alguns comem alimentos estragados por dó de jogar fora.
Acha que a vida não vale a pena com orçamento curto demais, que não vale a pena trabalhar se não puder usufruir do resultado deste trabalho. Decidir o que não comprar é um sacrifício gigante. Tem horror de economizar, preencher controles, fazer orçamento, cortar gastos, contar moedinhas e fazer contas em geral. Vive de pão com ovo por um tempo se precisar, lazer é pizza de muzzarela, almoço é marmita, água é da torneira e na rua ele passa fome e sede mas não gasta. O acumulador costuma valorizar mais a vida simples. Não sofre para economizar porque não se importa com o presente e sim com o futuro.
O gastador se diverte pesquisando preços, escolhendo, olhando vitrines e caçando ofertas e ainda prefere comprar por impulso. Ele pode planejar as compras, mas sempre extrapola o plano. Se ele conseguiu pagar menos, vai acabar gastando o restante em outra coisa para compensar e não volta para casa com troco. Planeja as compras e segue o plano, espera, calcula e pesquisa. Pode comprar até mais que o gastador, mas são coisas grandes, caras e duráveis. Negocia até abaixar o preço ao menor valor possível. Não se preocupa tanto com o motivo de ser barato, se pode envolver roubo, escravidão, exploração ou sonegação.
Tem plena consciência que o dinheiro é um recurso para ser usado e acha o maior desperdício de tempo e energia vê-lo parado Espera que o dinheiro lhe traga segurança e paz e não se conforma com os desperdícios financeiros do gastador.
Poupa quando sobra depois de gastar. Gasta quando sobra depois de guardar.
Ajuda aos outros com mais frequência, mas também pede ajuda com mais frequência e não necessariamente as pessoas a quem ele ajuda são as mesmas para quem pede ajuda. Consegue ajudar a mais pessoas e nas crises são muito procurados para isso. Podem “adotar” alguns gastadores.
É mais facilmente manipulável para comprar compulsivamente mesmo sem poder ou precisar. Cerca de 5% da população tem Oniomania – compra demais. Só compra o que estava precisando ou planejando, às vezes nem isso.
Está mais interessado no prazer de gastar, no momento da compra do que no produto ou serviço em si. Para ele dinheiro traz alegria e prazer imediato. O gastador odeia esperar, ele é ansioso e quer tudo agora. Ele não precisa terminar o que começou nem faz questão de usar o que comprou. Compra menos e melhor.
Desperdiça dinheiro, tempo e energia comprando o que não precisa ou não pode e pagando juros. Desperdiça tempo e energia em busca do custo mínimo, economizando o que não precisa e desperdiça espaço guardando o que não usa.
Quando diz que está sem dinheiro é porque ele já gastou tudo o que tinha e mais alguma coisa de cheque especial e empréstimo. Quando diz que está totalmente sem dinheiro ele ainda tem uma reservinha.

 

Muitos gostam de ganhar mas podem sentir-se culpados e ser meio desligados do dinheiro. Gosta de ganhar dinheiro e pode tornar-se um escravo dele, pensando e falando só nisso.

Criatividade nos momentos de crise

(imagem free do Pixabay)

CRIATIVIDADE NOS MOMENTOS DE CRISE

Andréa Voûte

Uma das coisas que estimulam a criatividade é a própria necessidade, como a fome somada a recursos escassos disponíveis na cozinha (e na carteira, pois se houvesse dinheiro, provavelmente pediria uma pizza). Quantas receitas deliciosas foram criadas em um dia de geladeira e despensa vazias… Aqueles poucos itens que sobraram e nunca antes tinham sido combinados, acabaram fazendo parte de um novo prato.

O cozinheiro está aberto a ideias de ingredientes, temperos e modos de preparo inéditos sem diminuir a higiene ou a qualidade, mantendo a receita saudável e saborosa. Para isto, está disposto a vivenciar transformações através do fogo, do gelo e das próprias combinações entre os alimentos.

É extremamente estimulante ouvir depoimentos de pessoas que se saíram de situações difíceis com criatividade. E como existem relatos assim para ouvir e como existe gente assim para nos ensinar algo! Sei que não é o assunto mais comum de uma conversa, mas bem que poderia ser. Já pensou se antes de reclamar ou fofocar cada pessoa tentasse motivar a outra, sem a pretensão de passar uma “fórmula do sucesso”, apenas mostrando superações possíveis?

Desemprego, perda do poder aquisitivo, separação, doenças, descontrole emocional, aumento do número de dependentes, dívidas, são alguns exemplos do que pode nos levar a um limite de nossa capacidade. Nestes momentos podem vir à tona talentos desconhecidos e ideias super produtivas. O que funcionava antes pode não funcionar mais, a moderação às vezes dará lugar a medidas mais drásticas e você descobrirá a força que tem. Pense que é temporário e adapte-se.

Sempre que estiver no meio da crise financeira, lembre-se do cozinheiro que aproveitou o recurso que tinha, planejou e ousou, respeitando seus princípios e objetivos, mas disposto a aprender. Dinheiro circula mesmo, o que foi perdido hoje provavelmente poderá ser recuperado amanhã, descubra como! Novas fontes de renda, novas formas de usar melhor o dinheiro, economizar, investir ou uma combinação de tudo.